Brent alcançou a marca de US$ 90 nesta terça-feira (11) diante das incertezas sobre o Estreito de Ormuz; valorização aumenta atenção sobre inflação, gasolina e diesel em diferentes mercados
O mercado internacional de petróleo voltou a enfrentar um dia de forte volatilidade nesta terça-feira, 11 de agosto de 2026. O barril do Brent, principal referência internacional da commodity, chegou novamente à região dos US$ 90, refletindo a preocupação dos investidores com o futuro do Estreito de Ormuz.
O movimento ocorre após dois dias de forte valorização do petróleo. Segundo a Reuters, o Brent acumulou avanço de aproximadamente 5% nesse período, enquanto investidores acompanham as dificuldades nas negociações entre Estados Unidos e Irã e as incertezas sobre a normalização do tráfego pelo estreito.
Durante a sessão desta terça, o Brent chegou a ultrapassar temporariamente os US$ 90 antes de perder força. A oscilação mostra como qualquer avanço ou retrocesso diplomático envolvendo a região pode provocar movimentos rápidos nas cotações internacionais.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante?
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes para o mercado mundial de energia. Localizado entre o Irã e a Península Arábica, o corredor conecta produtores do Golfo Pérsico aos principais mercados consumidores.
Antes das restrições provocadas pelo conflito iniciado em 2026, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente passava pela região, segundo informações citadas pela Reuters.
Por isso, qualquer dificuldade para a passagem de navios petroleiros aumenta a percepção de risco sobre a oferta mundial. Os investidores passam a considerar a possibilidade de menos petróleo chegar ao mercado, pressionando as cotações.
Brent chegou aos US$ 90 nesta terça
O movimento desta terça foi significativo. O Brent chegou a aproximadamente US$ 90,02 por barril no início do dia, com valorização superior a 2% naquele momento.
O petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) também avançou, chegando à região dos US$ 84 durante o período de maior valorização.
Posteriormente, os contratos perderam parte dos ganhos. Essa reversão reforça a volatilidade provocada pelas notícias sobre as negociações diplomáticas e pela expectativa sobre uma possível reabertura mais ampla de Ormuz.
Negociações entre EUA e Irã movimentam mercado
As expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã são acompanhadas de perto pelos operadores de petróleo porque uma solução diplomática poderia facilitar a normalização do transporte marítimo na região.
Nos últimos dias, entretanto, novas exigências apresentadas durante as negociações reduziram o otimismo de que uma solução rápida esteja próxima.
A Reuters informou nesta terça que as negociações permanecem travadas, enquanto novas demandas aumentam a complexidade das discussões. Esse cenário ajudou a levar novamente o Brent para perto dos US$ 90.
Petróleo mais caro pode afetar gasolina e diesel?
A alta internacional do petróleo pode aumentar a pressão sobre os preços dos combustíveis, mas isso não significa que gasolina e diesel ficarão automaticamente mais caros no Brasil.
O valor cobrado nos postos brasileiros depende de vários fatores. Entre eles estão as políticas comerciais das refinarias, o preço internacional do petróleo, a cotação do dólar, tributos, biocombustíveis adicionados à mistura e margens de distribuição e revenda.
Ainda assim, uma valorização persistente do barril aumenta a diferença entre os preços praticados internacionalmente e aqueles encontrados no mercado doméstico, especialmente quando acompanhada de valorização do dólar.
Diesel merece atenção especial
O diesel possui importância estratégica para a economia brasileira devido à forte dependência do transporte rodoviário.
Caminhões são responsáveis pelo deslocamento de grande parte dos alimentos, produtos industriais e matérias-primas comercializados no país. Uma alta relevante do diesel pode elevar os custos logísticos das empresas.
Quando esse aumento permanece por períodos prolongados, parte do custo pode ser repassada aos preços dos produtos, contribuindo para pressões inflacionárias.
Petróleo também pressiona inflação mundial
A preocupação não está restrita ao Brasil. A Reuters destaca que a valorização recente do petróleo voltou a alimentar receios de inflação nos mercados internacionais.
Energia mais cara pode aumentar custos de transporte, produção industrial, agricultura e serviços. Isso também pode influenciar decisões de bancos centrais sobre juros.
Nos Estados Unidos, investidores acompanham simultaneamente a evolução do petróleo e novos indicadores de inflação, tentando entender como o cenário energético poderá afetar as próximas decisões do Federal Reserve.
O que acompanhar agora?
O principal fator de curto prazo continuará sendo o Estreito de Ormuz. Uma sinalização concreta de acordo capaz de ampliar o fluxo de petroleiros poderia reduzir parte do prêmio de risco incorporado ao barril.
Por outro lado, um agravamento das tensões ou novos obstáculos às negociações podem provocar outra rodada de valorização.
Para o consumidor brasileiro, o ponto mais importante será observar se o Brent permanecerá próximo ou acima dos US$ 90 por um período prolongado. Oscilações de apenas algumas horas possuem impacto limitado, enquanto preços elevados durante semanas podem aumentar as pressões sobre toda a cadeia de combustíveis.
O retorno momentâneo do Brent aos US$ 90 nesta terça-feira funciona, portanto, como um sinal de alerta. Mais do que uma mudança imediata na bomba, ele mostra que o mercado mundial de energia continua vulnerável às decisões políticas e militares em torno de uma das rotas de petróleo mais importantes do planeta.
Fontes:
- Reuters — Oil edges lower with Oman-Iran talks in focus — publicada hoje, 11/08. Confirma que o Brent chegou a US$ 90,03 por barril durante a sessão, antes de recuar para US$ 87,22, em meio às negociações relacionadas ao tráfego pelo Estreito de Ormuz. (Reuters)
- Associated Press — Oil prices jump 2% while world shares are mostly lower — também publicada hoje. Registra o Brent em torno de US$ 89,80, alta de 2,4%, depois de uma forte valorização na segunda-feira. (AP News)
- Reuters — Oil climbs 5% as Iran, US demand compensation and Hormuz hopes fade — explica a forte alta registrada na véspera, relacionada ao impasse entre EUA e Irã e às perspectivas para o Estreito de Ormuz. (Reuters)
- Reuters — Brent climbs on uncertainty over Iran war and Hormuz — publicada em 07/08/2026, fornece o contexto da escalada dos preços nos dias anteriores e das incertezas sobre o fluxo de petróleo pela região. (Reuters)