Entidades do setor de etanol rebatem candidato, defendem testes técnicos e colocam composição da gasolina no centro do debate eleitoral.
Flávio Bolsonaro promete rediscutir percentual de etanol na gasolina
A mistura de 32% de etanol anidro na gasolina, conhecida como E32, entrou diretamente no debate eleitoral depois de o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmar que pretende rediscutir a medida caso seja eleito. Durante uma transmissão realizada em 20 de agosto, Flávio comparou o aumento da participação do etanol na gasolina à chamada “reduflação”, expressão utilizada quando produtos diminuem de tamanho ou quantidade sem uma redução proporcional do preço. O candidato também mencionou preocupações de consumidores sobre possíveis efeitos da nova composição nos motores de carros e motocicletas. (eixos)
O E32 passou a vigorar em 1º de agosto de 2026, após decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A possibilidade de ampliar a presença do biocombustível foi aberta pela Lei do Combustível do Futuro, aprovada em 2024, que permite elevar a mistura de etanol anidro na gasolina até 35%, condicionada à viabilidade técnica. O tema reúne interesses ambientais, econômicos e industriais, já que qualquer alteração no percentual influencia desde produtores de cana-de-açúcar e milho até distribuidoras, montadoras e milhões de motoristas. (Broadcast)
Setor de etanol reage e contesta críticas ao E32
As declarações provocaram uma reação conjunta de seis organizações ligadas à cadeia produtiva do etanol e da cana-de-açúcar. Unica, Unem, Bioenergia Brasil, Feplana, Unida e Orplana afirmaram que comparar o E32 à reduflação desinforma o consumidor e desqualifica uma política energética desenvolvida ao longo de décadas. As entidades também destacaram que a legislação que abriu caminho para a ampliação da mistura passou pelo Senado em 2024, período em que Flávio Bolsonaro participou das discussões legislativas. (Canal Rural)
Outro ponto central da reação envolve a segurança dos veículos. Segundo as entidades, o Instituto Mauá de Tecnologia realizou avaliações envolvendo 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, representativos de veículos fabricados entre 1994 e 2024. Foram avaliadas misturas com 27%, 30% e 32% de etanol em testes de laboratório e pista, acompanhados pela ANP e por representantes de fabricantes e importadores. De acordo com o posicionamento divulgado pelo setor, os ensaios indicaram viabilidade da mistura sem prejuízo ao desempenho dos veículos analisados. (Broadcast)
Debate ultrapassa os postos e chega à campanha eleitoral
A discussão ganhou dimensão ainda maior após outras figuras políticas entrarem no debate. Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, criticou as declarações de Flávio e apresentou o aumento da participação dos biocombustíveis como parte da transição energética brasileira. Segundo informações divulgadas pelo banco e repercutidas pela imprensa, mais de R$ 17 bilhões foram aprovados para investimentos em biocombustíveis na atual gestão, destinados a projetos capazes de ampliar em mais de 5 bilhões de litros anuais a produção de etanol. (novaCana)
A controvérsia mostra como uma decisão aparentemente técnica sobre a composição da gasolina pode se transformar rapidamente em tema eleitoral. De um lado, Flávio Bolsonaro questiona o percentual e sinaliza uma eventual revisão; de outro, representantes do setor defendem a mistura com argumentos relacionados à segurança energética, produção nacional, agronegócio e redução do uso de combustíveis fósseis. Com o E32 já presente nos postos, o assunto tende a continuar na campanha de 2026 porque toca diretamente em uma questão que mobiliza o consumidor: quanto da gasolina comprada é efetivamente derivada do petróleo, quanto é etanol e quais são os impactos dessa composição no veículo e no bolso do motorista? (cnnbrasil.com.br)