De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria e fundador do projeto social Humaniza Sertão, um envelhecimento ativo significa viver a longevidade com movimento, participação social, autonomia e propósito. Assim sendo, esse conceito não se resume a envelhecer sem doenças, mas a manter a pessoa idosa envolvida nas próprias escolhas, nos vínculos familiares e na vida em comunidade. Na prática, trata-se de preservar presença, liberdade e dignidade ao longo do tempo.
Com isso em mente, a seguir, veremos como o envelhecimento ativo pode ser aplicado no dia a dia com equilíbrio entre cuidado, segurança e independência.
O que é envelhecimento ativo?
O envelhecimento ativo é uma forma de compreender a velhice como uma etapa de continuidade, e não apenas de perdas. Conforme frisa Yuri Silva Portela, ele valoriza a capacidade de participar, escolher, aprender e manter relações significativas. Desse modo, o idoso deixa de ser visto apenas como alguém que precisa de assistência e passa a ser reconhecido como sujeito de direitos, desejos e experiências.
Isto posto, a autonomia deve ser preservada sempre que possível, inclusive nas decisões simples. Escolher horários, roupas, atividades, passeios e formas de lazer fortalece autoestima e identidade. Assim, quando a família oferece apoio sem substituir todas as escolhas, o cuidado se torna mais respeitoso e eficiente.
Como a participação social ajuda no envelhecimento ativo?
A participação social é um dos pilares de um envelhecimento ativo porque reduz o isolamento e fortalece o sentimento de pertencimento. Conversar com familiares, manter amizades, frequentar grupos, participar de atividades comunitárias ou realizar encontros simples ajuda o idoso a se sentir valorizado. Segundo o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, esses vínculos também estimulam a memória, a linguagem, o humor e o interesse pela rotina.
Aliás, a participação social não exige uma agenda intensa. Uma visita semanal, uma caminhada acompanhada, uma conversa por telefone, uma atividade religiosa ou um curso breve já podem gerar impacto positivo. No final, o essencial é que a pessoa idosa continue percebendo que sua presença importa.
Por que o movimento e a autonomia devem caminhar juntos?
O movimento contribui para preservar a força, o equilíbrio, a mobilidade e a independência. Caminhadas, alongamentos, dança, hidroginástica e exercícios supervisionados podem facilitar tarefas diárias e reduzir o risco de quedas. Assim sendo, o objetivo não deve ser desempenho, mas funcionalidade, segurança e confiança para viver melhor.

A autonomia também depende de ambientes adequados e estímulos constantes. Por isso, pequenas adaptações podem proteger sem limitar. Retirar obstáculos, melhorar a iluminação e instalar apoios são medidas simples que favorecem a liberdade. Tendo isso em vista, separamos algumas outras atitudes que ajudam a transformar esse conceito em rotina:
- Estimular escolhas: permitir que o idoso participe das decisões fortalece independência.
- Valorizar vínculos: incentivar conversas e encontros combate a solidão.
- Criar novos estímulos: leitura, jogos, cursos e tecnologia mantêm a mente ativa.
Essas ações mostram que envelhecer bem não depende de mudanças complexas. O mais importante é manter constância, respeito ao ritmo individual e atenção às necessidades reais de cada pessoa, como pontua Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão. Assim, quando há equilíbrio entre proteção e liberdade, a rotina se torna mais saudável e humana.
Como aprendizado e propósito influenciam a longevidade?
Aprender algo novo durante a terceira idade estimula a mente e reforça a sensação de capacidade. O aprendizado pode ocorrer em cursos, oficinas, leituras, atividades culturais, uso de tecnologia ou hobbies. De acordo com o doutor Yuri Silva Portela, continuar aprendendo ajuda o idoso a romper com a ideia de estagnação e amplia sua participação no mundo.
O propósito também tem papel essencial, já que ele pode estar no cuidado com a família, no voluntariado, na espiritualidade, na arte, no trabalho parcial ou em pequenos projetos pessoais. Nesse quesito, o propósito não precisa ser grandioso para ter valor, pois as tarefas simples também organizam a rotina e fortalecem o sentido de vida.
Envelhecendo com dignidade e participação
O envelhecimento ativo mostra que a velhice não deve ser definida apenas por limitações, mesmo com mudanças físicas ou sociais, a pessoa idosa pode continuar decidindo, convivendo, aprendendo e contribuindo. Para isso, ela precisa de apoio, mas também de respeito à sua individualidade.
Quando família, profissionais e comunidade estimulam movimento, participação social, autonomia e propósito, a longevidade ganha mais qualidade. Assim, o envelhecimento ativo deixa de ser apenas um conceito e passa a orientar atitudes práticas para uma vida mais segura, livre e significativa.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez